A moda contemporânea está em um diálogo constante com o passado, e uma das influências mais marcantes desse intercâmbio é o art déco. Desde as letras de Lana del Rey até as fachadas deslumbrantes de Paris e as criações da Chanel, esse movimento artístico, que emergiu na França no início do século XX, se torna cada vez mais relevante. O auge do art déco ocorreu nas décadas de 20 e 30, quando a Exposição Internacional das Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris em 1925, catapultou a estética a um patamar global.



O art déco é uma fusão intrigante entre a reverência pelo passado e a celebração do futuro. Sua essência é uma tapeçaria rica que traz à tona influências vanguardistas, como o cubismo, e incorpora técnicas artesanais, além de referências a civilizações antigas e paisagens urbanas modernas. A descoberta da tumba de Tutancâmon em 1922, por exemplo, intensificou a egiptomania, que se refletiu em motivos como flores de lótus e pirâmides, enquanto as culturas asiáticas e africanas enriqueceram o design com padrões e materiais únicos, reinterpretados sob uma ótica europeia.




O aspecto avant-garde do período também se manifestou em formas angulares e abstrações visuais, enquanto a industrialização e as inovações tecnológicas, evidentes em automóveis e arranha-céus, simbolizaram velocidade e progresso. Essa fusão estética deu origem a um novo estilo de arquitetura e design, com ícones como o Chrysler Building e criadores como Jean Dunand e Eileen Gray ganhando destaque. Na moda, grandes nomes como Paul Poiret, Jeanne Lanvin e Madame Vionnet foram fundamentais para a ascensão dessa estética, apresentando suas obras na famosa feira de 1925.




Mas por que essa redescoberta do art déco agora? O centenário da exposição parisiense, celebrado no ano passado, trouxe uma nova luz sobre essa estética, especialmente após anos de predominância do loungewear e athleisure, onde o conforto foi colocado em primeiro plano. O retorno do art déco é visto como uma resposta a essa fase, trazendo de volta a ideia de cerimônia e a intenção de transformar o ato de se vestir em uma experiência mais significativa, valorizando a ornamentação, o artesanal e a riqueza dos detalhes.




Art Déco nas Tendências Atuais
No verão de 2027, a influência do art déco se manifestou de diversas formas nas coleções de moda. A conexão de Coco Chanel com esse movimento se torna ainda mais evidente, com o atual diretor criativo da maison, Matthieu Blazy, entrelaçando a rica história da marca com a contemporaneidade. Detalhes angulares e modernizados aparecem nas clássicas jaquetas de tweed, enquanto vestidos bordados com cinturas deslocadas fazem uma referência mais direta ao estilo.




Altuzarra, por sua vez, trouxe uma atmosfera noturna, apresentando peças leves adornadas com motivos geométricos, que capturam a essência do art déco de maneira sofisticada e atual. Essa ressurreição do movimento não é apenas uma tendência passageira; é uma afirmação de que a elegância e o glamour têm seu lugar garantido na moda, mesmo em tempos de mudança.



