Nas recentes estreias de "The Odyssey", filme de Christopher Nolan, Zendaya não apenas brilha como Athena, mas também traz à tona a rica tapeçaria da moda inspirada na Grécia antiga. Com um guarda-roupa que mescla drapeados elaborados e uma paleta de cores predominantemente branca, a atriz tem se destacado como um ícone de estilo.


Entre os looks memoráveis, ela usou um vestido branco plissado da Trussardi de 2006 e um modelo column customizado de Jacquemus, adornado com brincos feitos a partir de discos antigos do primeiro milênio a.C. Para uma sequência de eventos de moda, Zendaya optou por um vestido Valentino com corpete de seda e saia drapeada, seguido de um vestido de alta-costura da Schiaparelli, que apresentava um busto esculpido.


O ápice de suas escolhas fashionistas culminou em sua aparição na premiere de Nova York, onde ela desfilou um vestido drapeado da Matières Fécales, completo com asas de penas em tamanho real. Essa referência à famosa estátua "A Vitória de Samotrácia", que atualmente se encontra no Louvre, foi complementada por uma maquiagem que evocava a história de Ícaro, como mencionado por seu maquiador em uma entrevista.


Embora "The Odyssey" não busque precisão histórica — sendo atribuído ao poeta grego Homero e escrito séculos após os eventos que descreve — suas roupas, criadas pela aclamada designer de figurinos Ellen Mirojnick, também se afastam da realidade. Conhecida por seu trabalho em "Bridgerton", Mirojnick traz uma interpretação surrealista da Grécia micênica para a tela.


Zendaya, ao apresentar seus looks, também desafia as convenções históricas, algo que se tornou uma prática comum na moda ao longo do último século. Desde que o mundo da moda começou a reinterpretar as vestimentas da Grécia antiga, as referências clássicas se tornaram intrínsecas ao nosso vestuário moderno. O "chiton" e o "peplos", estilos de túnicas que caracterizavam a vestimenta grega, estabeleceram um precedente para roupas que libertam a forma humana, independentemente de gênero.


Na virada do século XX, a moda começou a se afastar do uso de espartilhos. Paul Poiret foi um dos pioneiros desse movimento, inspirando-se em referências gregas para criar roupas soltas que permitiam liberdade de movimento. Um exemplo notável é o vestido clássico que desenhou para a dançarina Isadora Duncan em 1906, que utilizava dobras de tecido que se ajustavam ao corpo com cintas semelhantes a cordas.


A designer Madeleine Vionnet também incorporou essas silhuetas clássicas em suas criações nas décadas de 1920 e 1930, utilizando um único pedaço de tecido para criar vestidos etéreos que flutuavam ao redor do corpo. O designer hispano-veneziano Mariano Fortuny, famoso por sua técnica de microplissado em seda, também encontrou inspiração nas vestimentas clássicas, criando o icônico vestido "Delphos" baseado no "chiton".


Com o lançamento de "The Odyssey" e as aparições de Zendaya, a moda mais uma vez reafirma seu amor pela Grécia antiga, mostrando que esses ecos do passado continuam a moldar as tendências atuais e a expressão de estilo na sociedade moderna.


