Enquanto no Brasil o babyliss e a escova ainda dominam o dia a dia das mulheres, uma nova tendência de beleza vem conquistando corações pelo mundo. A proposta é simples: deixar os fios mais livres, com a textura natural em evidência, rompendo com o polimento habitual que as redes sociais costumam promover. Esse movimento, segundo a hairstylist Gabriela Balan, reflete uma mudança mais profunda no comportamento das pessoas, que vai além do cabelo.
“É impossível ignorar a influência das redes sociais na vida cotidiana. No Instagram, o ideal de beleza muitas vezes é uma imagem perfeitamente arrumada, onde um cabelo finalizado faz parte desse conceito. Porém, ao optar por um visual mais natural, a mensagem é outra: menos perfeição e muito mais autenticidade”, explica Gabriela. A hairstylist observa que essa naturalidade é um tema crescente, não apenas na estética, mas também na forma como as pessoas se alimentam e se vestem.
Contudo, a adesão a essa estética mais livre enfrenta desafios no Brasil, onde o uso constante das redes sociais intensifica a pressão por uma imagem sempre impecável. “Aqui, as pessoas estão muito mais atentas às redes do que em outros lugares, o que torna a aceitação do cabelo natural um pouco mais lenta”, comenta.
A Arte da Coloração Natural
Esse novo estilo de cabelo também vem acompanhado de uma coloração que valoriza a naturalidade. Tons dourados, mechas sutis concentradas na raiz e um loiro que parece ter surgido naturalmente são as escolhas da vez. “Um cabelo natural não apresenta grandes contrastes. Ele pode ter nuances, mas sempre dentro da mesma tonalidade da pessoa. As cores geralmente começam na raiz e se intensificam nas pontas”, explica Gabriela, destacando a diferença entre a definição do babyliss e a fluidez do cabelo natural.

Para aqueles com cabelos cacheados ou ondulados, especialmente em climas úmidos como o brasileiro, abraçar essa tendência não significa abrir mão dos cuidados. “O uso de finalizadores, leave-in e óleos é fundamental para valorizar a textura e controlar o frizz. Acessórios como bonés, lenços e grampinhos laterais também ajudam a passar uma imagem de cuidado, e não de desleixo”, ressalta a hairstylist.
Gabriela observa que suas clientes no Rio de Janeiro já estão se rendendo a essa vontade de soltar os cabelos, embora ainda mantenham o desejo de se arrumar. “No Rio, com seu clima quente e praiano, as mulheres tendem a preferir um visual mais solto e natural, mas isso não significa que deixem de se cuidar. Elas gostam de ter opções e o importante é não depender exclusivamente de ferramentas térmicas”, afirma.
Para a hairstylist, a aceitação dessa naturalidade está em um processo de amadurecimento, que ainda levará tempo para se consolidar no repertório de estilo brasileiro. “Hoje, as pessoas estão mais expostas por causa das redes sociais, o que impacta na forma como se cuidam. A adesão à naturalidade está acontecendo, mas de forma lenta. É difícil abrir mão daquela finalização perfeita que o babyliss proporciona”, conclui.
