O cenário musical que se forma atualmente talvez não tenha um nome, mas isso pode ser parte do seu encanto. Liderada por uma jovem geração de músicos, criativos visuais e fãs apaixonados, essa nova onda está eletrificando espaços diversos, desde bares e casas de shows até estúdios caseiros e quartos ao redor do mundo. Após um período de isolamento em decorrência da pandemia, essa cena não apenas ressurge, mas também fomenta um senso de comunidade e um retorno ao que é analógico.









Em Greenpoint, Brooklyn, a banda Model/Actriz encontra seu espaço de prática, enquanto Gigi Giobbi, baterista da Been Stellar, se destaca no East Village. Aron Kobayashi Ritch, da banda Momma, cria em seu estúdio caseiro, e Allegra Weingarten, também de Momma, junta-se a outros artistas como Etta Friedman e Jenna Pascale para explorar novas sonoridades. Como bem disse Victor Hugo, revoluções nascem da necessidade, e a história da música moderna confirma isso. O rock psicodélico explodiu no auge da Guerra do Vietnã; a música pop triunfou em meio ao excesso e à esperança desmedida dos anos 90; e uma nova onda de indie rock encontrou sua voz no turbilhão pós-11 de setembro.










Agora, a geração Z e os zillennials estão no comando, criando músicas que refletem as preocupações contemporâneas, como a crise climática, a ascensão da inteligência artificial, o conflito em Gaza e a possibilidade de uma segunda presidência Trump. Essa cena, ainda sem nome, começou a florescer durante a COVID-19. Isolados em casa, os artistas tiveram a chance de experimentar e redefinir seus sons, muitos até investiram em novos instrumentos com cheques de estímulo, como foi o caso de Adam Kenter, do grupo pop Starcleaner Reunion, que adquiriu um teclado Juno-106. Algumas bandas surgiram, outras se reformaram, e muitas não conseguiram se recuperar.










Gigi Giobbi, baterista da Been Stellar, reflete sobre a cena nova-iorquina: "A música teve que morrer e renascer". O desejo por autenticidade e conexão está moldando um novo capítulo na música, onde a expressão criativa se torna um ato de resistência e renovação em tempos difíceis. Essa revolução musical não só celebra a individualidade dos artistas, mas também cria um espaço de acolhimento e pertencimento em um mundo que, muitas vezes, parece desconectado.









