O cenário escolhido para a apresentação da coleção foi o Radicepura, um exuberante jardim botânico que se transformou em uma verdadeira conservatória de luxo. Ao chegarem, os convidados foram recebidos por uma estrutura que mesclava o interior e o exterior, onde árvores brotavam do chão e flores estavam em profusão, criando um ambiente que parecia um sonho. Entre a vegetação, tronos barrocos, querubins e espelhos adornavam o espaço, enquanto modelos elegantes se posicionavam, oferecendo um primeiro vislumbre da coleção a uma plateia repleta de estrelas, incluindo Jennifer Lopez, Christian Bale e Monica Bellucci.
A coleção “Alta Moda” da Dolce & Gabbana representa o ápice do artesanato da icônica casa de moda italiana. Este ano, o evento retornou a Taormina, um local que recentemente ganhou destaque na segunda temporada da série “The White Lotus”. A primeira coleção Alta Moda foi lançada nesta mesma cidade em 2012, e a escolha do local não é aleatória; Taormina carrega um significado especial para a marca, sendo um destino tradicional dos ricos europeus durante suas “grandes viagens” no final do século XIX e início do século XX.

Com suas paisagens deslumbrantes que combinam mar, montanhas e vulcões, Taormina se tornou um centro cultural para boêmios, artistas e aristocratas, incluindo membros da realeza. Para Dolce & Gabbana, essas mulheres reais são as verdadeiras “devotas” da beleza divina. O desfile teve início com um vestido de tule preto com um ombro só e quadris exagerados, todo coberto por flores artesanais. A modelo ostentava um arranjo de gipsófila azul entrelaçado em seus cabelos, enquanto segurava um buquê delicado nas mãos.

Na sequência, outra modelo desfilou com um traje que evocava a forma de uma tulipa, com pétalas rosas se espalhando a partir de seus quadris, enquanto estames cintilantes balançavam a cada passo. O tema floral estava em evidência durante toda a apresentação, com rosas, peônias e flores de laranjeira bordadas, pintadas e aplicadas em vestidos deslumbrantes. As “Dolce girls”, fiéis ao seu estilo, apareceram com ares de viúvas chiques, vestindo véus de renda preta e vestidos de tule que revelavam lingeries por baixo, adornados com cruzes de ouro e contas.
Os designers fizeram uma reverência à moda do início do século 20, apresentando casacos xale com franjas e vestidos slip inspirados nos anos 30, além de buscar inspiração ainda mais antiga, com corpete e saias de armação. Os materiais utilizados eram de uma riqueza inigualável: chiffon, veludo, seda, organza dupla, tule ilusion, renda Chantilly, macramê, brocado e fil coupé, todos em camadas de bordados em bullion, contas de vidro, cristais, resina e folha de ouro.

Para o grand finale, a última modelo emergiu de um quadro dourado rococó, revelando a dramaticidade de seu vestido mitológico, batizado de “Isola Bella”. Inspirada pelo mar siciliano, a peça era composta por camadas de tule em tons de azul claro, cinza, verde água e turquesa que se entrelaçavam pela cabeça da modelo, contornavam o corpete, afinavam na cintura e se desdobravam em uma saia volumosa com um longo rabo. O desfecho foi embalado pela “Valsa das Flores” de Tchaikovsky, transformando o desfile em uma ode ao artesanato tão requintado que parecia reservado apenas para deusas — e clientes de alta costura.
