O ano é 2026 e, no mundo digital, tudo parece ser conteúdo. Para influenciadores e consumidores, essa realidade é tanto fascinante quanto aterradora. Apesar da vontade constante de se conectar, a dificuldade em se destacar se intensifica, enquanto a competição entre criadores se torna cada vez mais acirrada. A sensação de que estamos sendo constantemente vendidos ou que precisamos vender a nós mesmos permeia a vida cotidiana, refletindo uma era cronicamente conectada. Em meio a isso, os padrões do que constitui um "bom conteúdo" continuam a evoluir, acompanhando as mudanças culturais.
Apesar dos desafios, a economia global dos criadores está longe de ser desanimadora, com um valor estimado em torno de 250 bilhões de dólares e projeções que indicam um crescimento para 480 bilhões até 2027, segundo a Goldman Sachs. Nos Estados Unidos, os investimentos em publicidade de criadores devem alcançar 44 bilhões neste ano, conforme reportado pelo Interactive Advertising Bureau (IAB). Embora o retorno sobre investimento (ROI) seja notoriamente difícil de mensurar, dados da CreatorIQ mostram que, em média, cada dólar investido retorna 5,78 dólares em receita.

Para as marcas de moda, o conteúdo gerado por criadores não é mais um mero apêndice nas estratégias de mídia, mas sim um dos canais mais valiosos. Um estudo recente da CreatorIQ revela que, nos Estados Unidos e no Reino Unido, 77% dos profissionais de marketing acreditam que o conteúdo de criadores supera a criatividade tradicional de marcas. Nos últimos dez anos, a dinâmica do mercado de criadores evoluiu de fotos de corpo para vídeos, do polido ao low-fi, enquanto micro-influenciadores prosperam ao se especializarem em nichos específicos.
No entanto, essa aparente força do futuro traz consigo grandes riscos. Sara Camposarcone, uma influenciadora, observa que hoje em dia, apresentar a uma marca um projeto criativo detalhado é considerado mais eficaz do que simplesmente se oferecer como criador em busca de oportunidades. Mas como essa realidade se desenrola no dia a dia? De acordo com a CreatorIQ, a renda média anual dos criadores globalmente em 2025 foi de 44.293 dólares, inferior ao salário médio nos Estados Unidos, que é de 64.505 dólares. Além disso, apenas 11% dos criadores alcançam salários de seis dígitos, enquanto os 10% mais bem pagos recebem 62% dos pagamentos totais feitos aos criadores.

Esses números revelam que conquistar uma fatia de mercado é um desafio para a maioria dos criadores, fazendo da atuação como influenciador em tempo integral uma realidade viável apenas para uma minoria. Chris Harrington, CEO da CreatorIQ, ressalta que muitos criadores ainda dependem de múltiplas fontes de renda, em vez de se apoiarem exclusivamente em patrocínios. Além da renda fragmentada, os influenciadores são cada vez mais vistos como consultores culturais em regime de plantão, aguardando aprovações e feedbacks rigorosos. Essa evolução do papel, que se transforma em um estilo de vida abrangente, onde tudo pode ser romantizado ou convertido em conteúdo, também gera uma linha tênue entre trabalho e vida pessoal, tornando a exaustão uma preocupação constante.
Entretanto, o maior desafio para os criadores que buscam se destacar está na fadiga do consumidor. Vera Sidlova, diretora criativa global da Kantar, alerta que existe um risco real de que as pessoas se sintam sobrecarregadas pelo volume excessivo de anúncios de criadores em seus feeds, o que pode ofuscar o brilho que torna esses influenciadores parceiros valiosos para as marcas. Ela observa que, em média, para cada dez postagens que parecem ser um sucesso nas plataformas, cerca de oito não conseguem impactar de forma significativa.

Com isso, as expectativas das marcas também aumentaram. Leo Mandella, um influenciador que surgiu durante a era das fotos de corpo, destaca essa mudança. "Em 2015, era mais sobre idolatrar alguém; hoje, sinto que os seguidores desejam estar ao lado dos criadores", diz ele. "As marcas agora se interessam mais pela comunidade que você construiu e pelo seu papel dentro da cultura." Sua gerente de longa data, Cora Delaney, fundadora da agência EYC LTD, complementa: "Antes, tudo girava em torno de seguidores. Agora, o foco está em influências que realmente fazem a diferença." Leo Mandella, que se destacou durante o auge dos influenciadores na década de 2010, continua a se adaptar a um mercado em constante mudança.
