No vibrante festival Coachella deste ano, a TikTok star Addison Rae fez uma entrada triunfal, pendurada em uma jaula rosa choque e envolta em uma nuvem de tule cinza. O que poderia ser apenas mais uma apresentação, transformou-se em um espetáculo visual quando ela apareceu vestindo um vestido de baile desconstruído, que mesclava um corpete inspirado em bailarinas a uma saia tutu e uma cauda em camadas. A peça, feita de tule branco com veios de cinza, não só adicionou profundidade ao visual, como também ajudou a contar a história da artista. Um vestido branco puro seria insuficiente para expressar sua letra, onde ela menciona estar "perdendo toda [sua] inocência no banco de trás".
Esse visual impressionante é uma criação da designer Miss Claire Sullivan, conhecida por seu glamour excêntrico e feminino. Para as estrelas pop contemporâneas, que muitas vezes alcançaram a fama pela internet, não basta apenas oferecer uma performance impactante de uma canção popular. É crucial cultivar uma vibe única, capaz de se destacar em meio ao barulho da indústria musical. E, para isso, um visual inesquecível e exclusivo é fundamental.
Embora Addison também tenha usado peças de grandes marcas como Versace e Rodarte, sua preferência por Sullivan revela muito sobre quem ela deseja ser como artista. Rae se esforçou para ser vista como uma "garota pop alternativa", com um som que ecoa referências de Lana Del Rey e Björk, além de uma estética que remete a uma Britney Spears adolescente na capa da Rolling Stone de 1999.

Em uma reflexão sobre sua trajetória, Sullivan comenta: "Quando comecei a trabalhar na minha marca, não compreendia por que as pessoas queriam vestir celebridades. Mas existe um selo de aprovação que vem com isso. No entanto, acredito que vai além; é sobre construir mundos e contar histórias. Os artistas desenvolvem seu universo de uma maneira que é tão importante para eles quanto para seus fãs".
Além de Addison Rae, Sullivan já vestiu ícones como Rosalía, Doechii, Lady Gaga e Caroline Polachek. A colaboração entre estrelas pop e designers não é uma novidade. Nos anos 70, os macacões de Kansai Yamamoto definiram a era Ziggy Stardust de David Bowie. Da mesma forma, o corset cone de Jean Paul Gaultier se tornou a marca registrada de Madonna durante sua turnê Blond Ambition em 1990. Nos anos 2000, os visuais dramáticos de Olivier Theyskens ajudaram o Smashing Pumpkins a adotar uma estética gótica.

Entretanto, a diferença entre aquelas colaborações e as atuais é notável. No passado, os designers atuavam nos bastidores, servindo apenas à imagem do artista. Hoje, a narrativa flui em ambas as direções; usar um look de um designer renomado é uma declaração por si só. O reconhecimento de Miss Claire Sullivan traz um peso cultural que agrega valor à performance.
Raul Lopez, da marca Luar, compartilha essa visão ao vestir estrelas pop. "Sempre vi os músicos como contadores de histórias", afirma. "A Luar também é sobre contar histórias; é sobre Nova York, minha identidade, minha comunidade, e como todas essas narrativas se entrelaçam. Para mim, não se trata apenas de vestir uma celebridade, mas de contribuir para o momento cultural".

Um dos maiores momentos culturais deste ano foi a apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, onde Lady Gaga encantou o público com uma versão salsa de "Die With a Smile", vestindo um vestido de seda azul-claro, com saias plissadas e camadas de babados. O detalhe marcante? Gaga estava usando um designer latino-americano, com Lopez sendo de origem dominicana, e a escolha da cor fazia referência à bandeira original de Porto Rico, frequentemente associada ao movimento de independência.
Lopez teve outro momento icônico ao criar o famoso "terno gêmeo" usado simultaneamente por Gaga e Doechii no clipe de "Runway", da trilha sonora de Devil Wears Prada 2. Ambas também usaram vestidos de Miss Claire Sullivan em uma cena do vídeo. O apoio de Gaga a designers independentes é uma celebração de criatividade e autenticidade que ressoa profundamente na cultura pop atual.
