O evento, que atraiu uma multidão de fashionistas e admiradores da marca, viu as icônicas bolsas baguete da Fendi desfilarem nos ombros dos convidados. Entre eles, Sarah Jessica Parker, a musa das baguetes, que não apenas cumprimentou os presentes, mas também se divertiu registrando cada detalhe das obras de arte douradas que adornavam as paredes da galeria.
Dentro do espaço, uma recriação de uma exposição de 1985 da obra de Karl Lagerfeld na Fendi encantou os visitantes, com centenas de esboços originais e uma emocionante apresentação dos famosos designs de peles do estilista, além do filme "Historie D'Eau", dirigido por Jacques de Bascher. Chiuri, que antes do desfile ressaltou a controvérsia que a primeira mostra gerou, destacou como a moda sempre foi vista como algo distante do ambiente cultural, um mero negócio, e não uma forma de arte.

Ao longo de sua carreira, Chiuri tem se dedicado a explorar as intersecções entre arte e moda, apoiando artistas femininas e promovendo colaborações que elevam o discurso fashion. Seu retorno à Fendi, onde trabalhou de 1989 a 1999 e desenhou a bolsa Baguette original, trouxe uma nova perspectiva a uma marca que busca reimaginar suas tradições. Até agora, Chiuri apresentou duas coleções de prêt-à-porter elegantes e minimalistas, marcadas por vestidos slip em rendas delicadas.
A coleção de couture, no entanto, se afastou de qualquer teatralidade exagerada que costuma caracterizar o mundo da alta-costura. Não havia estruturas rígidas ou silhuetas moldadas que dominassem a passarela. Em vez disso, Chiuri permitiu que o corpo se tornasse o protagonista, resultando em criações que eram ao mesmo tempo artísticas e sensuais.

O destaque da apresentação foi um caftan listrado em preto e branco, que flutuava graciosamente atrás da modelo. Inspirado em Emilie Flöge, a musa de Gustav Klimt, o vestido oferecia uma alternativa à tortura dos espartilhos, celebrando a liberdade do corpo feminino. Silhuetas mais simples, como os cortes em viés e detalhes Art Déco, surgiram em tops brilhantes e calças fluidas, refletindo a força e a sensualidade que Chiuri tão habilmente articula.
A alfaiataria e as peças de outerwear também se destacaram, traduzindo o nível de sofisticação da alta-costura em itens de vestuário que são, ao mesmo tempo, práticos e confortáveis. Um longo casaco duster em preto e branco parecia um sonho, ideal para ser combinado com jeans e uma camiseta, simbolizando uma nova era de glamour descomplicado.

Mais do que apenas democratizar a alta-costura, Chiuri enfatizou a importância da relação pessoal que cada um de nós tem com as roupas. "Devemos lembrar que o que mais desejamos nas roupas é a forma como elas nos fazem sentir", afirmou. Com essa premissa, a nova coleção da Fendi promete não apenas encantar, mas também libertar as mulheres das amarras convencionais da moda, reimaginando o que significa estar na vanguarda do estilo.
