Em um cenário onde a moda é marcada por mudanças rápidas e muitas vezes tumultuadas, a transição de Wes Gordon para a direção criativa da Carolina Herrera é frequentemente citada como um exemplo de sucesso. Desde que assumiu o cargo em 2018, após a aposentadoria da fundadora Carolina Herrera, Gordon tem se esforçado para manter a essência da marca enquanto a leva a novas alturas.
Durante uma conversa por Zoom, à véspera do desfile de Primavera/Verão 2027 durante a New York Fashion Week, Gordon destaca um valor central que guiou sua jornada: o respeito. "O respeito era uma prioridade não apenas para a casa, mas também para Carolina como pessoa. Trabalhei para conquistar sua confiança e tomei decisões que não a desapontariam", revela. A presença de Herrera na primeira fila dos desfiles a cada temporada simboliza a continuidade e o legado que ela deixou.
O Valioso Legado e o Crescimento Sustentável
Completando 45 anos de história, a Carolina Herrera se tornou um marco na moda nova-iorquina. Gordon observa que, ao contrário de muitas marcas americanas, poucas ainda prosperam após a saída de seus fundadores. A chave para essa transição bem-sucedida, segundo ele, é sempre o respeito. "Quando vemos transições que falham, pode ser que faltou respeito no processo", acrescenta.

A marca, adquirida pelo conglomerado espanhol Puig em 1995, não apenas se consolidou no mercado, mas também se destacou como líder em seu segmento de fragrâncias e moda. O sucesso do perfume Good Girl, que completa uma década, é um exemplo claro dessa ascensão. Emilie Rubinfeld, presidente da marca desde 2017, também desempenhou um papel crucial na evolução da Carolina Herrera. "O que Wes trouxe foi uma evolução, não uma revolução. Ele realmente entendeu os códigos da casa", comenta Rubinfeld, que reconheceu o talento de Gordon durante sua participação no CFDA/Vogue Fashion Fund.
A harmonia entre as diversas categorias da marca, que incluem moda, fragrâncias, maquiagem, óculos e acessórios, permite uma gestão integrada, promovendo uma experiência unificada para os consumidores. Com lojas novas em Houston, La Jolla e Miami, a marca está fortalecendo seu foco no comércio direto ao consumidor, ampliando sua oferta para incluir peças que atendam a um estilo de vida completo.
No entanto, a grande questão que paira sobre a marca é como se conectar com um público mais jovem. A resposta de Rubinfeld é clara: "Focamos em ser autênticos e verdadeiros à marca Carolina Herrera, evitando tendências passageiras". Gordon complementa que, ao criar suas coleções, não se limita a pensar em faixas etárias específicas. "Não me preocupo se uma peça é para uma mulher de 20, 30 ou 40 anos. Isso simplesmente não é real", conclui.
