Após uma frutífera parceria com a A24 para desenvolver fluxos criativos na indústria cinematográfica, o Google agora volta seu olhar para o mundo da moda. Às vésperas da tão aguardada Semana de Moda de Nova York, a gigante da tecnologia uniu forças com os designers Jane Wade e Sergio Hudson para criar e testar ferramentas específicas que prometem revolucionar o styling e a visualização de desfiles.
Yeawon Choi, designer de experiência do usuário no Envisioning Studio do Google, liderou o projeto e destaca: “A premissa central é que a tecnologia deve ser construída com os criativos, e não apenas lançada sobre eles.” A ideia é co-desenvolver com os profissionais que utilizarão essas ferramentas, identificando pontos de atrito comuns nas indústrias criativas, que incluem desafios de pré-visualização e prazos apertados.
Transformando o Processo Criativo
Jane Wade, uma das colaboradoras, trabalhou com o Google para digitalizar uma das etapas mais manuais da preparação de um desfile: o styling das peças. Tradicionalmente, esse processo consome horas preciosas, mas agora, com a ajuda de uma suíte de styling baseada em IA co-desenvolvida, Wade consegue otimizar seu tempo. Para ela, a capacidade de visualizar looks antes de tomar decisões de produção pode economizar milhares de dólares.

“Visualizar as opções antes de cortar é uma ferramenta extremamente valiosa para nós, como uma pequena empresa, uma vez que acumulamos várias funções,” explica Wade. “Posso experimentar diferentes tecidos e cores, quase como se estivesse trabalhando ao contrário, antes de fazer uma escolha final.” Essa abordagem não apenas agiliza o processo, mas também minimiza os riscos financeiros associados a decisões precipitadas.
Além disso, a ferramenta de visualização de desfiles desenvolvida em parceria com Hudson aborda um dos maiores desafios enfrentados pelos designers: os custos associados aos mock-ups de passarela. Com ela, Hudson pode planejar a encenação do desfile com mais eficiência, permitindo que cada mock-up seja uma representação precisa e econômica do que será apresentado ao público.
O uso da IA não se limita apenas ao styling; Wade também criou visualizações de pré-prova dentro da suíte, que permitem que ela e sua equipe experimentem acessórios, óculos e direções de beleza em imagens reais dos modelos durante as provas. A ferramenta gera diferentes saídas visuais, desde looks completos até detalhes, assemelhando-se a um cartão de vestir profissional.
.jpg)
Embora a tecnologia ofereça um suporte inestimável, Wade ressalta que ela não substitui as provas físicas. “Claro, isso não é uma ferramenta de edição final,” afirma, reconhecendo que a IA ainda apresenta limitações. “O objetivo é que eu possa trabalhar com meu stylist e experimentar opções sem precisar chamar os modelos repetidamente.”
Adicionalmente, a colaboração resultou em um gerador automatizado de cartões de modelo, simplificando um fluxo de trabalho complexo baseado no Adobe Illustrator. Isso permite que membros da equipe com conhecimentos limitados em design ainda possam produzir cartões de vestir prontos para impressão, mantendo a identidade visual da marca.
Para Wade, todas essas inovações não apenas melhoraram a eficiência, mas também garantiram uma melhor alinhamento visual interno dentro de sua equipe. Embora os custos de produção, como a confecção de padrões e a escolha de materiais, ainda estejam além do alcance da IA, a nova ferramenta representa um avanço significativo em direção à modernização do processo criativo na moda.
